sexta-feira, 18 de maio de 2012

Terapia Cognitiva Comportamental

     Amigos, como vocês sabem, sou psicóloga e tenho formação em Terapia Cognitiva Comportamental (TCC) e trago uma reportagem interessante da revista ISTOÉ para ampliar o conhecimento de vocês sobre esta abordagem psicoterápica:(http://www.istoe.com.br/reportagens/88604_A+FORCA+DA+MENTE )


 A força da mente

A ciência comprova que mudar a maneira de pensar é um remédio eficaz contra males como depressão e dor crônica

Cilene Pereira

A advogada Laura Poltosi, do Rio de Janeiro, vive um momento especial. Aos 33 anos, ela comemora o sucesso de duas viradas na vida. Primeiro, pôs fim a um casamento que a deprimia. Depois, trocou o rumo de sua carreira profissional. De especialista em separações de casais, tornou-se mediadora de conflitos. Em vez de separar, aprendeu a unir. Mudanças assim tão estruturais – e, no caso de Laura, feitas em pouco mais de dois anos –, em geral, só são possíveis com uma boa ajuda psicológica. Com a advogada não foi diferente. Laura submeteu-se a sessões de Terapia Cognitivo-Comportamental, ou TCC, e credita ao método grande parte da paz que sente hoje.
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Para a secretária Valéria Castellano, 49 anos, sempre foi difícil colocar limites. “Não conseguia dizer não. Tinha medo de magoar as pessoas.” A TCC a auxiliou a modificar o comportamento, que a fazia sofrer. “Minhas dificuldades estavam relacionadas à baixa auto-estima. Estou mais assertiva.”
Assim como ela, milhares de outras pessoas estão usando a técnica para superar dificuldades. A TCC se consolidou como um dos recursos mais empregados para auxiliar os pacientes no enfrentamento das enfermidades. É utilizado contra uma gama ampla de problemas: depressão, fobias, ansiedade, transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, dor, anorexia e bulimia, obesidade, fumo e dependência química e síndrome do intestino irritável são apenas algumas de suas indicações.
A terapia tem como premissa a ideia de que ­sentimentos e reações comportamentais são consequência de pensamentos criados sobre determinadas situações. “Um fato rotineiro produz em cada um formas diversas de sentir e de agir”, explica o psicoterapeuta Rubens Caratta, do Instituto de Análise e Modificação de Comportamento. “Mas o fato, por si só, não causa emoções e comportamentos. O que provoca isso é o que pensamos sobre ele.”
Partindo desse pres­suposto, a TCC defende que, na raiz dos transtornos, estão pensamentos equivocados. Coisas como acreditar não ser capaz de falar em público ou de resistir a um doce quando se quer emagrecer. Esses pensamentos, automáticos e quase sempre inconscientes, seriam derivados de crenças incorretas forjadas na infância. E eles passariam a vida pautando e limitando as ações, sem que se dê conta de sua influência. O objetivo, portanto, é impedir que continuem a determinar os comportamentos. Por isso o nome terapia cognitivo (plano do raciocínio) comportamental.
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Às vezes, até o próprio engenheiro Júlio César Calsinski, 42 anos, se surpreende com as transformações na sua vida ocorridas depois que fez a terapia. “Sou muito racional, mas percebi que muitos processos de raciocínio eram calcados em tabus sem fundamento”, conta. Atualmente, livre de qualquer resquício de depressão, entrega-se, inclusive, a animadas aulas de dança com a esposa
As estratégias para quebrar esse ciclo são diversas. O primeiro passo é auxiliar o paciente a identificar quando os pensamentos surgem. Para evitá-los, pode-se usar a tática da distração. “A pessoa pode pensar em outra coisa imediatamente”, explica a psicóloga Mônica Portella, autora do livro “Temas em Terapia Cognitivo-Comportamental, vol. 1”, lançado recentemente.
Outra ação é questionar o quanto há de real no pensamento. Por exemplo: se uma pessoa acha que não cumprirá o prazo de um trabalho pode se perguntar se o risco é mesmo verdadeiro e quantas foram as ocasiões em que não foi eficiente. Certamente concluirá que não há fundamento para o temor. “Uma análise parcial e ilógica da realidade gera sentimentos desproporcionais ou inapropriados para lidar com a situação”, explica a psicoterapeuta Karina Haddad Mussa, da Universidade Federal de São Paulo e da Clínica do Sono. “O questionamento impede que isso aconteça.”
Há ainda o recurso da técnica da exposição. “Expomos o paciente, de forma gradativa e com acompanhamento, a estímulos que desencadeiam crises”, explica a psicóloga Fátima Ferreira, da Associação dos Terapeutas Cognitivo-Comportamentais do Rio de Janeiro. “Queremos fortalecer sua tolerância, aumentando a sua capacidade de enfrentamento da situação”, diz a especialista (leia mais no quadro).
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Foi exatamente essa a mensagem que a personal trainer Heloísa Teixeira, 32 anos, conseguiu introduzir na sua vida após a TCC. Inquieta, ela não se permitia folgas nem aos finais de semana. Até que descobriu que parte dessa maneira de ser era decorrência do desejo de provar a si mesma e aos outros que era capaz. “Vi que não preciso mostrar nada a ninguém”, diz ela, que hoje faz questão de descansar aos sábados e domingos
Vários estudos confirmaram a eficácia da TCC. Um dos mais recentes foi feito no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo. Durante 12 semanas, 22 mulheres na pós-menopausa e com depressão participaram de sessões. “Depois do tratamento, 71% passaram a apresentar boa qualidade de vida”, disse a psicóloga Leiliane Tamashiro, coordenadora do trabalho.
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Brincar com o filho Gabriel, de 11 meses, é a maior vitória para a carioca Lylian Thomé, 47 anos.
Portadora de fibromialgia (sente dores em todo o corpo), ela aprendeu a não se deixar paralisar pela doença. “Vejo a vida com mais leveza”
Muitas das pesquisas relacionadas à depressão foram feitas por Daniel Strunk, da Ohio State University (EUA). Em uma delas, demonstrou-se que a terapia melhora os sintomas da doença, mesmo em casos graves. “Os deprimidos aumentam a importância das crenças negativas”, disse Strunk à ISTOÉ. “Fazemos com que eles comparem as evidências de que o que pensam é verdade. Quando questionam isso, apresentam menos sintomas negativos.”
Na depressão, há predominância de desejo de isolamento e de falta de disposição para as atividades cotidianas. “Encorajamos os pacientes a conversar com outras pessoas e começar as atividades mesmo sem ter vontade”, contou o pesquisador. O resultado é que eles percebem que são capazes de voltar a tomar o controle de sua vida. Efeito semelhante obtiveram cientistas das universidades de Washington e de Emory (EUA), com pacientes que, respectivamente, sofreram acidente vascular cerebral (avc) ou lutam contra a insuficiência cardíaca. Por causa das doenças, ficaram deprimidos. “Muitos que sofreram o avc e têm dificuldade de andar acham que não caminharão com bengala”, disse à ISTOÉ Pamela Mitchel, uma das coordenadoras do trabalho, em Washington. “Mudamos esse pensamento para “vou aprender a andar com a bengala para passear no jardim, por exemplo.” No caso dos doentes cardíacos, um dos objetivos é estabelecer metas realistas para as atividades do dia a dia. “Eles se adaptam melhor às mudanças e às limitações”, explicou à ISTOÉ Rebecca Gary, da Universidade Emory.
Na Rutgers The State University of New Jersey, os trabalhos concentram-se na avaliação da terapia para ajudar mulheres que sofrem de alcoolismo. “Após 12 sessões, as pacientes se mantêm sem beber por mais de um ano. E outros estudos apontam ­períodos de abstinência de mais de quatro anos”, disse à ISTOÉ Elizabeth Epstein, líder das pesquisas. Uma das ações é encorajar as pacientes a criar redes sociais com pessoas abstêmias. Na Universidade de Pittsburgh, os benefícios estão sendo observados em mulheres fumantes que desejam largar o vício, mas têm medo de engordar. “Procuramos modificar a ideia de que precisam do cigarro para controlar o apetite”, explicou à ISTOÉ Michele Levine, professora da instituição.
Em geral, os benefícios são obtidos a partir de 12 sessões. Mas a média varia de acordo com as condições de cada indivíduo. Os especialistas também advertem que, dependendo do caso, é necessário o uso de medicações.
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o que acharam?

bjs

quinta-feira, 1 de março de 2012

Os excluídos - Marta Medeiros

Ao contrário do que o título desta crônica possa sugerir, não vou falar sobre aqueles que vivem à margem da sociedade, sem trabalho, sem estudo e sem comida. Quero fazer uma homenagem aos excluídos emocionais, os que vivem sem alguém para dar as mãos no cinema, os que vivem sem alguém para telefonar no final do dia, os que vivem sem alguém com quem enroscar os pés embaixo do cobertor. São igualmente famintos, carentes de um toque no cabelo, de um olhar admirado, de um beijo longo, sem pressa pra acabar.
A maioria deles são solteiros, os sem-namorado. Os que não têm com quem dividir a conta, não têm com quem dividir os problemas, com quem viajar no final de semana. É impossível ser feliz sozinho? Não, é muito possível, se isso é um desejo genuíno, uma vontade real, uma escolha. Mas se é uma fatalidade ao avesso - o amor esqueceu de acontecer - aí não tem jeito: faz falta um ombro, faz falta um corpo.
E há aqueles que têm amante, marido, esposa, rolo, caso, ficante, namorado, e ainda assim é um excluído. Porque já ultrapassou a fronteira da excitação inicial, entrou pra zona de rebaixamento, onde todos os dias são iguais, todos os abraços, banais, todas as cenas, previsíveis. Não são infelizes e nem se sentem abandonados. Eles possuem um relacionamento constante, alguém para acompanhá-los nas reuniões familiares, alguém para apresentar para o patrão nas festas da empresa. Eles não estão sós, tecnicamente falando. Mas a expulsão do mundo dos apaixonados se deu há muito. Perderam a carteirinha de sócios. Não são mais bem-vindos ao clube.

Como é que se sabe que é um excluído? Vejamos: você passa por um casal que está se beijando na rua - não um beijinho qualquer, mas um beijo indecente como tem que ser, que torna tudo em volta irrelevante - você inclusive. Se lhe bate uma saudade de um tempo que parece ter sido vivido antes de Cristo, se você sente uma fisgada na virilha e tem a impressão que um beijo assim é algo que jamais se repetirá em sua vida, se de certa forma este beijo que você assistiu lhe parece um ato de violência - porque lhe dói - então você está fora de combate, é um excluído.

A boa notícia: você não é um sem trabalho, sem estudo e sem comida - é apenas um sem-paixão. Sua exclusão pode ser temporária, não precisa ser fatal. Menos ponderação, menos acomodação, e olha só você atualizando sua carteirinha. O clube segue de portas abertas.

 Pensem nisso,
 Boa noite galera!

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012

Clarice na Cabeceira

"Escrevi livros que fizeram muitas pessoas me amar de longe", afirmou certa vez Clarice .
Para quem gosta desta escritora, recomendo o livro "Clarice na Cabeceira"!!! Li e amei sua crônicas!!! O livro reune "vinte e dois instantes de beleza"- esta é a maneira com a qual a organizadora do livro Clarice na Cabeceira, Teresa Montero, se refere à obra.
Confiram!! E boa leitura neste início de ano!!